Coinfecção por hepatites virais ainda atinge pessoas que vivem com HIV

Nesta quarta-feira (28/07), o mundo celebra o Dia de Combate às Hepatites Virais. A data foi instituída em 2010 pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico precoce, da vacinação e do tratamento.

Conhecida como doença silenciosa, as hepatites virais não apresentam sintomas em 90% dos casos. Nos demais 10%, aparecem alguns, como urina escura, pele amarela e, em algumas situações, sinais semelhantes aos de uma gripe. A coinfecção com o HIV é preocupante.

HIV e Hepatite B 

Segundo o Boletim Epidemiológico de 2021, divulgado pela Secretaria de Vigilância em Saúde, a coinfecção com o HIV entre os casos notificados de hepatite B foi observada em 5,1% dos casos acumulados no período de 2007 a 2020. Analisando a proporção de indivíduos coinfectados segundo as regiões, no Sudeste foi observada a maior proporção entre as cinco regiões, com 7,7% do total de casos. Para as outras regiões, têm-se 4,6% dos casos no Nordeste, 4,1% no Sul, 4,0% no Centro-Oeste e 2,2% na região Norte.

A hepatite B é, inclusive, a segunda maior causa de óbitos entre as hepatites virais. De 2000 a 2019, foram registrados 16.722 óbitos relacionados a esse agravo; desses, 54,0% tiveram a hepatite B como causa básica, em sua maior parte na região Sudeste (40,8% dos óbitos por causa básica). Em 2019, o maior coeficiente de mortalidade em todo o período verificou-se na região Norte, com 0,5 óbito por 100 mil habitantes.

Na comparação por sexos, o número de óbitos por hepatite B entre os homens foi superior ao das mulheres em todo o período. Entre os anos de 2000 e 2019, observou-se flutuações na razão de sexos, que variou de 21 para 31 óbitos entre homens para cada dez óbitos entre mulheres.

 

Coinfecção HIV e Hepatite C

Ainda segundo o Boletim Epidemiológico, no período de 2007 a 2020, 8,5% (19.924) do total de casos notificados de hepatite C apresentaram coinfecção com o HIV. Observou-se, ao longo desses anos, uma redução no percentual de coinfecção, que passou de 9,5% em 2009 para 6,8% em 2020. Entre as regiões brasileiras, a maior proporção de indivíduos coinfectados com HIV ocorreu no Sul, com 11,3% do total dos casos notificados de hepatite C.

Os óbitos por hepatite C são a maior causa de morte entre as hepatites virais. O número de óbitos devidos a essa etiologia vem aumentando ao longo dos anos em todas as regiões do Brasil. De 2000 a 2019, foram identificados 59.950 óbitos associados à hepatite C.

Quando analisada a distribuição proporcional do total de óbitos por hepatite C como causa básica entre as regiões brasileiras, verifica-se que 55,9% foram registrados no Sudeste, 23,8% no Sul, 10,9% no Nordeste, 5,0% no Norte e 4,4% no Centro-Oeste.

Quanto ao coeficiente de mortalidade por hepatite C como causa básica, observou-se uma tendência de estabilização no Brasil como um todo nos últimos dez anos. Entre 2009 e 2019, as regiões Sul e Sudeste apresentaram os maiores coeficientes de mortalidade, mais elevados que o coeficiente nacional. Em 2019, o coeficiente de mortalidade por hepatite C no país foi de 0,7 óbito por 100 mil habitantes.

De acordo com o Ministério da Saúde, as hepatites virais são agravos de notificação compulsória, cuja obrigatoriedade de notificação compete aos profissionais de saúde ou responsáveis pelos serviços públicos e privados de saúde que prestam assistência ao paciente.

No período de 1999 a 2020, no Brasil, 254.389 pessoas foram diagnosticadas com o vírus da hepatite B e 262.815 com o vírus da hepatite C. Essas infecções são as principais causas de doença hepática crônica, cirrose hepática e carcinoma hepatocelular. A carga de doenças resultante das hepatites virais e o próprio agravo por si só representam um desafio de saúde pública para o SUS. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas (ONU) incluem no objetivo 3.3: “acabar com as epidemias de aids, tuberculose, malária e doenças tropicais negligenciadas e combater a hepatite, as doenças transmitidas pela água e outras doenças transmissíveis”.

Segundo o Ministério, dados os diferentes modos de transmissão das hepatites virais e os principais grupos afetados, reduzir as infecções e a morbimortalidade por esses agravos requer uma forte abordagem multidisciplinar, alinhada com a estrutura de cobertura universal de saúde que sustenta o SUS.

Compreender a complexidade das hepatites virais e determinar respostas programáticas a essas infecções requer dados robustos, fornecidos pelo Sistema Nacional de Vigilância em Saúde. Neste Boletim, estão contidas informações atualizadas até 2020 sobre os casos de hepatites virais no Brasil, detalhadas pelo ano de diagnóstico da doença segundo variáveis selecionadas, por Unidade da Federação e regiões do país.

 

Para confeir os dados completos do Boletim Epidemiológico, clique aqui. 

 

Fonte: Agência Aids

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